*Por: Pe. Manuel Neves - Pároco
Como estava previsto, decorreu no ginásio da Escola "O Pequeno Príncipe", no dia 25 próximo passado, a reunião que queriam fosse de engrandecimento sobre a construção da Unidade Industrial da Suzano em Chapadinha. A empresa tudo fez para ser grandiosa a demonstração do seu poder econômico, a escolha técnica, os preparativos científicos e jurídicos do projeto. A enorme assembleia que presenciava tudo no máximo silêncio e admiração, depois de duas horas de cansativa exposição, irrompeu em participação com a intervenção do Pároco. A reunião teve duas partes: uma de elogio feita pela própria empresa e outra de indignação pelo público presente.
Eis os argumentos expostos pela empresa: vai empregar 250 pessoas, a construção custará 700 milhões de reais, é a maior fábrica do gênero no mundo, produzirá pequeno granulado de madeira de eucalipto prensada para aquecimento, vai trazer impostos e especialização de mão de obra. Os argumentos contra foram bem expostos: a Suzano é um empresa falida economicamente. Em 2009 pediu 705 milhões de reais e em 2011 um bilhão e duzentos milhões de reais ao BNDES. O Banco, em contrapartida, obrigou a Suzano a fazer projetos de promoção social, porque nos mais de vinte anos anteriores de sua presença na nossa região, não conhecemos o que fez em benefício do povo. Se a empresa está trabalhando é porque usa o nome de outras empresas dependentes. As suas ações despencaram 50% no ano de 2011, pelo que anda a procurar empresas estrangeiras para participarem no seu negócio.
Eis os argumentos expostos pela empresa: vai empregar 250 pessoas, a construção custará 700 milhões de reais, é a maior fábrica do gênero no mundo, produzirá pequeno granulado de madeira de eucalipto prensada para aquecimento, vai trazer impostos e especialização de mão de obra. Os argumentos contra foram bem expostos: a Suzano é um empresa falida economicamente. Em 2009 pediu 705 milhões de reais e em 2011 um bilhão e duzentos milhões de reais ao BNDES. O Banco, em contrapartida, obrigou a Suzano a fazer projetos de promoção social, porque nos mais de vinte anos anteriores de sua presença na nossa região, não conhecemos o que fez em benefício do povo. Se a empresa está trabalhando é porque usa o nome de outras empresas dependentes. As suas ações despencaram 50% no ano de 2011, pelo que anda a procurar empresas estrangeiras para participarem no seu negócio.
O eucalipto não é uma árvore sagrada para enfeitar presépios de Natal, como deu a entender a exposição feita, mas é uma árvore que degrada o ambiente, desertifica os terrenos, acaba com nascentes, brejos e correntes de água, piorará a nossa região que é de cerrado semi-árido, causará um êxodo rural enorme e reduzirá o Município a um fantasma social. Os terrenos usados nem capim darão, pássaros e qualquer outros animais se afastarão, porque o cheiro dos eucaliptais é forte demais.
A Suzano (ou empresas que com ela trabalham!) maltrata as populações onde se instala, expulsa legítimos posseiros e causa grandes conflitos de terra, tem grilado grandes fazendas e, na nossa região, já se prevaleceu da fraqueza de cartórios de Anapurús, Santa Quitéria e Brejo, cujos responsáveis tiveram que ser afastados como foi noticiado na Imprensa.

DIREITOS ENLATADOS E O POVO SEM A CHAVE DO PRESTÍGIO.
Os direitos humanos são universais. Todas as pessoas deviam poder gozar deles. Mas não. Entre nós, muitos direitos ainda estão enlatados. Só os pode usar quem tiver a chave do prestígio para os obter. Mas é tarefa de quem tem fé lutar pela sua dignidade e por ser respeitado nos seus direitos. A política não é força exclusiva nem excludente do uso desses direitos. É triste que estejam a ser feitas opções na nossa região, não fundamentadas em análises técnicas, mas por mera decisão política. E rádios locais se fizeram eco dessa soberania política, porque estão sendo pagos com dinheiro público.
Aquilo a que chamaram “Audiência Pública”, sobre a construção da unidade industrial da Suzano, foi uma demonstração solene da falta de respeito às populações, do trabalho político de representantes do povo que, míopes no alcance histórico de opções presentes, apenas pensam em se prestigiar com ações que lhes possam trazer mais influência. Não lhes interessa o bem estar das populações. Todos nós compreendemos que também seria um emprego lucrativo um pai ser contratado para ser pistoleiro e matar o próprio filho. Mas ninguém tem coragem para aceitar isso.

Não é assim que se engana uma população, com a promessa de empregos. A agricultura familiar, essa sim, daria emprego ao nosso povo, emprego útil e digno, mas nunca houve político que a quisesse promover. A agricultura da nossa região ( e este ano com esta seca!) é a maneira mais fácil de empobrecer e dar fome ao povo. Quem amar Chapadinha, quem tiver responsabilidade social e amar a terra em que nasceu, quem tiver visão ética da realidade não conseguirá destruir o interior de seu próprio Município com uma mono-cultura que degrada o ambiente, destrói riquezas naturais, acaba com espécies da floresta nativa e impossibilita a fauna (que não é de pequena relevância como foi dito na sessão!).
Queremos que seja feita uma outra sessão, essa sim esclarecedora, com autoridades responsáveis presentes e que os resultados sejam levados às Autoridades do Estado e da Nação. O povo deve ser auscultado. Não podemos deixar a decisão na mão de políticos num ano de eleições. Para já queremos que seja feita uma auditoria ao que está acontecendo entre nós e nos Municípios vizinhos: famílias de posseiros desapropriadas, polícia agindo com liminares concedidas sem conhecimento da real situação, cartórios fechados por irregularidades que favorecem a Empresa e tentativa evidente de compra de autoridades com ofertas generosas. Por enquanto, isto é um parecer que me é lícito expor fundamentado em casos concretos de que posso apresentar documentos.
Queremos que seja feita uma outra sessão, essa sim esclarecedora, com autoridades responsáveis presentes e que os resultados sejam levados às Autoridades do Estado e da Nação. O povo deve ser auscultado. Não podemos deixar a decisão na mão de políticos num ano de eleições. Para já queremos que seja feita uma auditoria ao que está acontecendo entre nós e nos Municípios vizinhos: famílias de posseiros desapropriadas, polícia agindo com liminares concedidas sem conhecimento da real situação, cartórios fechados por irregularidades que favorecem a Empresa e tentativa evidente de compra de autoridades com ofertas generosas. Por enquanto, isto é um parecer que me é lícito expor fundamentado em casos concretos de que posso apresentar documentos.
Extraído do Blog da Paróquia de Chapadinha