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Posto Ipiranga / Chapadinha

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sábado, 21 de janeiro de 2017

Chapadinhense Prof. Natanael Silveira, Ganha Notoriedade Nacional em Publicação no Portal UOL

Prof. Natanael Silveira vê pessoas mudarem de 
opinião a seu respeito quando ele revela ser ateu

"Ser ateu é quase uma afronta" 
Na cidade de Chapadinha, no interior do Maranhão, um professor de língua portuguesa que se descobriu ateu ainda criança diz sentir na pele a rejeição à sua postura. "Moro em uma cidade pequena, com pouco mais de 80 mil pessoas, e ser um professor ateu é quase uma afronta a uma sociedade basicamente católica", diz Natanael Silveira. "Fico chateado com o fato de uma pessoa me conhecer há anos, gostar do meu jeito de ser, da maneira como leciono e de como me relaciono com as pessoas e, ao saber que sou ateu, mudar tudo o que sente e pensa a meu respeito."

Prof. Natanael, que usa o codinome de "Natan Enzo" no Facebook, "brincou" ao ter conhecimento da publicação, postando na rede social: "Fiquei famoso, já estou até no site UOL. rsrs"

O Prof. Telmo José (atual secretário municipal de Obras, de Chapadinha) rasgou elogios em mensagem postada na publicação de Natan Enzo (recorte acima). E completou em off: "Acho o Natan 'o cara'. Inteligentíssimo esse 'menino'."

Título Original - Ateus "saem do armário" religioso e reclamam de difícil aceitação no Brasil




"O Brasil é um país difícil para os ateus porque 
nós somos uma minoria realmente pequena", 
diz o ator Gregorio Duvivier.

"Se você não acreditar em Deus, você tem o demônio no corpo." Assim o ator Gregorio Duvivier, 30, descreve a reação de boa parte da população religiosa brasileira diante de alguém que se declara ateu. O ator revela que nunca teve uma formação religiosa e, por isso, não enfrentou problemas em sua relação com amigos e familiares por ser alguém que questiona a existência de Deus.

Mas o próprio Gregorio faz coro a uma reclamação da maioria dos ateus no país: a de que, em geral, a sociedade brasileira tem dificuldades em entender e aceitar aqueles que não professam nenhuma fé religiosa. "O Brasil é um país difícil para os ateus porque nós somos uma minoria realmente pequena", avalia o ator. "É um país onde todas as pessoas têm não só uma religião, mas várias, e onde acreditar em qualquer coisa parece mais sensato do que não acreditar em nada."

Um dos criadores do grupo Porta dos Fundos, que já abordou diversas vezes a religião em seus vídeos na internet, Gregorio diz que é natural fazer humor com temas tabus e que o riso deveria ser uma arma contra o fanatismo. "Os cristãos têm bancada no Congresso e estão mais bem representados do que qualquer um", afirma. "Por isso, não vejo problema nenhum em rir deles, até porque você está rindo, em geral, dos fanáticos, dos falsos profetas."

Segundo pesquisa Datafolha realizada em dezembro de 2016, 1% dos brasileiros são ateus. O levantamento ouviu 2.828 maiores de 16 anos em 174 municípios e tem nível de confiança de 95%.

A dificuldade de aceitação de ateus pelos religiosos fez crescer nos últimos tempos o uso de uma expressão popularizada pelo movimento LGBT: o "sair do armário". Tradicionalmente associada à decisão de uma pessoa de assumir em público a sua orientação sexual, a expressão também passou a ser usada pelos ateus que resolvem tornar pública a sua postura em relação à religião.

"É uma metáfora boa. São pessoas que têm um entendimento de si que, em um certo momento da vida, resolvem tornar público, seja orientação sexual ou de ordem religiosa", afirma Rafael Quintanilha, pesquisador do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), que atualmente faz um mestrado na USP sobre os discursos ateístas no Brasil.

"A expressão é feliz também porque o movimento LGBT tem se mostrado um grande aliado do movimento ateísta nas suas reivindicações públicas", acrescenta. "Normalmente são agentes religiosos dentro da política que impõem certas propostas que restringem os direitos LGBT e, ao mesmo tempo, restringem a noção de Estado laico dos ateístas."


Pesquisas apontam rejeição

Fundador de um dos maiores grupos ateístas do país, a Atea (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos), o engenheiro civil Daniel Sottomayor aponta dois problemas como os principais obstáculos para os ateus no Brasil: a dificuldade de garantir, na prática, um Estado laico e de promover a aceitação pela sociedade daqueles que preferem não ter religião.

Uma pesquisa encomendada pela revista "Veja", em 2007, apontou que apenas 13% dos brasileiros votariam em um ateu para presidente da República. No mesmo levantamento, 84% disseram que aceitariam votar em um candidato negro; 57%, em uma mulher; e 32%, em um gay.

Arquivo pessoal
Silveira vê pessoas mudarem de opinião a 
seu respeito quando ele revela ser ateu

Outro estudo, realizado no ano seguinte pela Fundação Perseu Abramo, procurou dimensionar o grau de aversão dos brasileiros a determinados grupos sociais. Na pesquisa, 17% dos entrevistados disseram sentir "repulsa ou ódio" por ateus, e 25% manifestaram "antipatia". Para comparação, o outro grupo mais mal avaliado foi o de usuários de drogas, que também são alvo de "repulsa ou ódio" de 17%, e de "antipatia" por 24%.

"Essa rejeição pode significar, em um divórcio, problemas com a guarda dos filhos", afirma Sottomaior. "Tem casos de juízes que perguntam para os pais se eles acreditam em Deus. Querem saber se eles vão dar uma criação religiosa para as crianças para qualificar isso como um bom pai. Você pode perder um emprego, pode ser lançado ao ostracismo pela própria família."

"Ser ateu é quase uma afronta" 
Na cidade de Chapadinha, no interior do Maranhão, um professor de língua portuguesa que se descobriu ateu ainda criança diz sentir na pele a rejeição à sua postura. "Moro em uma cidade pequena, com pouco mais de 80 mil pessoas, e ser um professor ateu é quase uma afronta a uma sociedade basicamente católica", diz Natanael Silveira. "Fico chateado com o fato de uma pessoa me conhecer há anos, gostar do meu jeito de ser, da maneira como leciono e de como me relaciono com as pessoas e, ao saber que sou ateu, mudar tudo o que sente e pensa a meu respeito."


Arquivo pessoal
Wellyngton Coelho diz que a maoria insulta 
os ateus ao conversar sobre o tema

Os depoimentos de outros ateus que "saíram do armário" religioso são semelhantes. O analista de marketing digital Wellyngton Coelho, 28, se mudou para Goiânia há apenas três meses. Antes, viveu em cidades menores e diz ter sido muitas vezes alvo de olhares de reprovação e pré-julgamento por ser ateu. "Eu sempre tento e gosto de ter algum diálogo sobre o assunto com pessoas que têm argumentos contra, mas a maioria só tem insultos", reclama.

A designer Priscilla Bittencourt mora em Manaus e se declara agnóstica ateia há mais de dez anos, mas admite que evita discutir o assunto com a família, principalmente com a mãe. "Eles sabem, mas minha mãe é bem intolerante com esse assunto, então, para não criar problemas, nem entro em detalhes."

Priscilla revela que se sente atraída por discussões nas redes sociais e diz que procura usar a internet para influenciar as pessoas a ter um pensamento crítico sobre determinados assuntos. "Vejo um movimento forte na internet", aponta a designer. "Muito do que sei hoje é graças a divulgadores, documentários, vlogueiros, blogueiros, pesquisa e leitura de artigos, livros e palestras."


Arquivo pessoal
A designer Priscilla Bittencourt evita 
falar sobre seu ateísmo com a mãe

Já a designer de interiores mineira Thaís Destefani, 24, diz que, depois de muita conversa, conseguiu fazer a mãe aceitar o seu ateísmo. "Porém, aceitar e compreender ainda não andam de mãos dadas", ressalva. E, com o namorado católico, o diálogo sobre o assunto é difícil. "Ele acha isso completamente besteira, é um assunto proibido e tabu entre nós."

Thaís também conta que mudou de postura para seguir se sentindo livre para expressar seu ateísmo. "Eu já fui chata, debatia, batia o pé e me irritava", revela. "Hoje, eu simplesmente não absorvo essas críticas (sobre religião). Eu quero ter o livre direito para dizer que sou ateia, com um sorriso no rosto. Para isso, tem que vir de mim não criticar a fé alheia."

No dia 25 de dezembro,"feliz Newtal"

Os hábitos de uma formação, em geral, religiosa também criam situações inusitadas. "Eu sou mineira, né?! Toda hora falo 'Nooooossa Senhora', bem longo mesmo, quase cantado. Já tentei me policiar mais sobre isso, hoje eu entendo que é somente uma expressão que está tão entranhada em mim quanto o 'uai'", afirma Thaís.

No fim de ano, em meio às celebrações de Natal, há ateus que participam da festa sem considerar o significado religioso ou por respeito às tradições de família. Mas há também os que preferem trocar cumprimentos pelo 25 de dezembro com um "Feliz Newtal", em uma referência à data de nascimento do cientista Isaac Newton, de acordo com o antigo calendário juliano.


Arquivo pessoal
"Quero ter o direito de dizer que sou ateia", 
diz a designer de interiores Thaís Destefani

Ateísmo como uma postura pública 

No exterior, é mais comum encontrar grupos que evitam o termo ateísmo e dão preferência à palavra "humanista" - a União Internacional Ética e Humanista, inclusive, tem entre seus membros a LiHS (Liga Humanista Secular do Brasil). Outro exemplo é o movimento Brights, que defende uma visão de mundo livre de elementos místicos e sobrenaturais e tem no cientista Richard Dawkins um de seus membros mais famosos.

"Há uma ideia de que a palavra ateísta é uma palavra negativa por si só, então os ateus têm de buscar algo além do que simplesmente ser contrário a alguma coisa. E aí eles buscam uma identidade, formam grupos, reuniões", analisa o pesquisador Rafael Quintanilha.

Autor do livro "Deus, um Delírio" e criador do termo "meme", Dawkins participou de uma série de iniciativas para ajudar ateus em todo o mundo a assumir uma posição cética em relação à religião. "Há uma grande população de ateus que precisam sair do armário", chegou a dizer o cientista, em uma entrevista ao jornal britânico The Guardian, em 2008.

"O fenômeno do ateísmo como uma postura pública é muito recente no Brasil. As pessoas não sabem o que é isso. É uma posição pouco legitimada, uma posição nova", afirma Quintanilha. "Isso causa bastante estranhamento e dificulta a aceitação como uma possibilidade de identificação."


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