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quarta-feira, 2 de março de 2011

ARTIGO: Comportamento Suicida

              O indivíduo que comete suicídio não está buscando a morte, mas sim acabar com um sofrimento insuportável que o aflige.
Apesar do alto número de suicídios, praticamente não houve avanço na concepção que as pessoas têm do indivíduo suicida, inclusive entre os profissionais de saúde, muitas vezes, esse ato é visto como uma “ousadia irreverente”, falta de responsabilidade, inconseqüência e até mesmo fraqueza.   

Muitos motivos são colocados como responsáveis pelo suicídio, como: as drogas; a timidez; o fracasso escolar; problemas de relacionamento familiar, sentimental e sexual, perdas, crises interpessoais com família ou amigos, estressores psicossociais, abuso físico e sexual, problemas legais ou disciplinares e a exposição ao suicídio de amigos, familiares ou através da mídia são precipitantes do comportamento suicida. Todavia, esses fatores se mostram mais potentes se vierem acompanhados da depressão que está relacionada com a falta de circulação de algumas substâncias que auxiliam no bom funcionamento do nosso cérebro. Associado às dificuldades comuns da vida e a uma genética favorável, essa deficiência nas células nervosas pode desencadear um episódio depressivo, o qual, se não tiver a devida atenção e tratamento, conduz a idéias suicidas e até mesmo ao ato em si.

O suicídio ocasionado por uma depressão não é um ato súbito, na maioria das vezes, é elaborado anteriormente com a escolha do dia, da hora e do meio para praticá-lo. No quadro clinico da depressão, o suicídio é o fato mais relevante.  

Dentro do espectro do comportamento suicida situam-se as idéias suicidas, as tentativas de suicídio e o suicídio consumado.  Assim como a depressão, o comportamento suicida aparenta estar aumentando nas últimas décadas, e a adolescência destaca-se como o período mais relacionado à morte devido a causas violentas. Adolescentes apresentam taxas de ideação suicida que variam entre 23 a 27%. A ideação suicida é comum em adolescentes, e as tentativas de suicídio e o suicídio em si aumentam com a idade, especialmente após a puberdade. O suicídio é três a quatro vezes mais comum em rapazes do que em garotas, enquanto que as tentativas de suicídio são duas a cinco vezes mais comuns nas garotas. Especificamente entre adolescentes deprimidos o comportamento suicida alcança índices alarmantes.  

O comportamento suicida na adolescência apresenta alguns fatores conhecidos de risco: idade, sexo masculino, presença de tentativas anteriores, história familiar de transtornos psiquiátricos (especialmente com tentativa de suicídio e/ou suicídio), ausência de apoio familiar, presença de arma de fogo em casa, orientação sexual minoritária, doença física grave e/ou crônica, presença de depressão e comorbidade com transtornos de conduta e abuso de substâncias, sendo que o risco de comportamento suicida em adolescentes deprimidos é três vezes maior na presença destas patologias comórbidas. Pelo menos 50% dos adolescentes que cometem suicídio fizeram ameaças ou tentativas no passado, e o risco de repetir uma tentativa é maior nos três primeiros meses após uma tentativa de suicídio. O sentimento de desesperança também está fortemente associado ao comportamento suicida e prediz futuras tentativas. 

Adolescentes deprimidos, portanto, apresentam claramente a necessidade cuidadosa de acompanhamento especializado. A melhor maneira de prevenir o suicídio é a detecção precoce e o tratamento das patologias psiquiátricas que o predispõe.  

Vale salientar, que a pessoa com idéias suicidas e comportamento depressivo, geralmente, dá sinais e “avisos” de seus sintomas, como: diminuição da auto-estima, irritabilidade, inquietação, isolamento no quarto, e, principalmente é aquela pessoa alegre e expansivo, que começa a demonstrar desinteresse e afastamento das pessoas, objetos e situações que gostava antes.  

Descobrir a origem do sofrimento é o ponto inicial, para tanto, o primeiro passo é ter uma observação mais apurada dos seus sinais e pedidos de “socorro”, para iniciar o acompanhamento médico e psicológico necessários. 


Anaximandro Silva Cavalcanti
Psicólogo

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